Os recentes casos de fraudes direcionadas a familiares de pacientes internados em instituições de saúde públicas e privadas, em todo o país, foi o tema da palestra Operação Prontuário, realizada na última quinta-feira (3), no Auditório Luigi Faroldi, no Hospital São Rafael. A convite da Diretoria Geral e Gerência de Recursos Humanos, a delegada civil Karina Campelo, de Belém do Pará, passou informações importantes para colaboradores do HSR e representantes de hospitais convidados sobre como funcionava o sistema de fraudes dirigidas a familiares de pacientes internados em hospitais, com intuito de extorquir dinheiro. Ela e sua equipe foram responsáveis por desarticular a quadrilha que agia de dentro de um presídio no município de Rondonópolis, no Mato Grosso.

Contando com apoio de comparsas, do lado de fora, o grupo atuava organizadamente, levantando informações sobre prontuários de pacientes internados em unidades de terapia intensiva e conseguindo cúmplices, do lado de fora, que abriam contas bancárias nas quais eram depositados os valores obtidos graças à boa fé dos parentes dos pacientes. Movidos pela angústia de terem entes queridos internados em estado grave, os parentes ou responsáveis acreditavam na informação passada, por telefone, pelo falso médico, que exigia depósitos em dinheiro, supostamente para agilizar a realização de exames essenciais à sobrevivência do paciente, como nos inúmeros casos noticiados, recentemente, na Bahia e em várias partes do Brasil.

Embora a quadrilha tenha sido desarticulada e seus integrantes presos (os que ainda não cumpriam pena), a delegada Karina Campelo tem convicção de que o golpe continua a ser aplicado, seja pelos bandidos do mesmo grupo, que obtém acesso a aparelhos celulares e smartphones no presídio, ou por outras facções criminosas, que copiaram a prática bem sucedida. Ela alerta os funcionários, sobretudo os de atendimento, telefonia e recepção a redobrarem a atenção e não fornecerem qualquer informação importante, sem antes se certificarem da identidade do interlocutor.

A delegada encerrou a palestra agradecendo ao HSR pela iniciativa de convidá-la e se colocou à disposição de outras instituições de saúde, para esclarecimentos e informações, e justificou sua iniciativa, falando da similaridade entre a sua missão como policial e a missão dos profissionais de saúde. “Assim como vocês, a gente tem muito amor pelo que faz e não podemos deixar que essas ações maléficas nos intimidem”.